Odara
nasceu sob a lua crescente, às três da manhã, de um dia qualquer. E em vez de
chorar contemplou o mar sorrindo para a sétima onda, que se quebrava enquanto
se refazia em imensidão.
Esta era a história que a menina fazia sua
avó contar infinitas vezes, explicando-lhe a raiz de suas enormes ondas loiras
disfarçadas de cabelos. Odara gostava de imaginar que quando ventava forte, no
pequeno vilarejo, junto ao mar, onde morava mesmo antes de existir, era para
que suas ondas pudessem bater, juntamente, com as ondas do imenso mar que a
habitava.
A
menina que possuía um mundo de sardas enfeitando suas rosadas faces, dizia a
todos que elas não passavam de areia (encantada) que se fixou a ela, feito a
praia ao mar. Mas tudo isso fazia mais sentido quando se fitava os seus enormes
olhos mutantes ora azuis, ora verdes, sempre reverenciando o infinito.
Dessa forma, era inevitável não notar também
a sincronia entre a ressaca do mar e a tempestade que se instalava em suas
valentes ondas, cada vez mais marcadas, cada vez mais resolutas em ser além do
que se desenhava.
Assim,
seguia a vida de Odara, crescendo forte e efêmera feita uma onda. Até que aos
treze anos, em uma noite de verão, de um dia qualquer, ela cismou ter visto sua
primeira onda, que na verdade era a sétima; e correu rumo ao mar a fim de se
juntar a ela.
Ela só desejava dizer-lhe que nunca a
esqueceu, abraçando-a, assim, bravamente. E assim, foi-se a sétima onda, hoje
também chamada de Odara: levada pelo tempo, levada pelo (a)mar.

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