Um Instante Fugaz
"Quanto tempo dura o eterno?Ás vezes apenas um segundo". L.C
terça-feira, 14 de outubro de 2014
Oi, eu sou feminista!
Hoje acordei com vontade de quebrar alguma coisa, então, resolvi que essa coisa seria o meu silêncio.Por muito tempo estive calada, apenas ouvindo e observando o movimento das coisas, dos planetas, dos móveis daqui de casa.
Confesso, que fui pega de surpresa, quando me vi fora de lugar, fora do lugar que me deram no mundo,porque descobri que esse não era o lugar que escolhi,mas sim, o canto mais escondido da casa.Porque hoje eu sei demais sobre quem sou e de onde vim, como também dos nomes e sobrenomes de tantas outras mulheres que não aceitaram ficarem quietas, nos seus lugares; as agitadoras, as histéricas, as loucas, as bruxas, as pervertidas, que só queriam terem seus direitos de gente sendo respeitados!
Graças à elas, hoje já consigo dar um nome ao que sinto, ao que sou, ao que quero sempre ser: uma mulher livre...de tabus, de falsos moralismos, do medo de não poder mandar no meu próprio corpo, da constante vigilância dos olhares infames do estado e da igreja, do controle mental e social, a qual querem submeter meu corpo e alma.
Por muito tempo fui a garota bem comportada, olhando pelas janelas ,que piscam, os transeuntes passarem, esperando a minha vez de também poder andar ,livremente, pela rua,pelo tempo, espaço e pensamento.Me tornei mulher,por ventura: depois de tantos ensaios, regras e padrões ensinados,mas nunca deixei que me tirassem o meu direito de ser apenas humana: nunca um gênero poderá me definir por completo,porque sou além do que se ver e é assim que vai ser, sempre.
Sou feminista, mulher, curiosa, astuta, sagaz, um tanto fugaz.Ás vezes única, por vezes múltiplas,não tenho medo de me perder,mas também não é fácil me encontrar.Por isso, eu ando pra frente,porque na inércia só há um vácuo do que já se foi.Eu falo com meu corpo todo, minha linguagem é forte, meus ideais também.
Até ontem tive medo de assumir tudo isso,porque o mundo não gosta de pessoas como eu.Mas eu me gosto assim, subversiva.
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Além das palavras.
Fixada à página existo!Transformo o branco
em dúvidas;crio linhas, às vezes imaginárias;quebro-as, as faço minha,as possuo
como quem acredita dominar,conter,delimitar um novo mundo.
No entanto,neste mundo não há fronteiras,
nem tédio;talvez algum mistério plantado por mim mesma.Por vezes,sou
única.Outras, todas:plural.
Minha emoção maior consiste em ser, estar,
em poder correr por olhos,voar por páginas e despentear pensamentos.Porém,
minha vida só é completa se escrita for.
Me
inventam em várias línguas, formas e conteúdos.Posso ser tudo: crua, dura, seca
e ao mesmo tempo terna, volúvel,sutil.Minha utilidade ao mundo talvez consista
em fixar ideias, sonhos ou até o infinito.E,assim, permanecer viva através dos
tempos;superando pestes,guerras,receios, fantasias e amores impossíveis.
Através do ato da escrita sou:palavra por
palavra.
Contato.
A Philippe Monte.
Você precisa me ensinar qualquer dia hoje como se
faz
Para aprender a tocar essa sinfonia envolta
No silêncio
do seu olhar...
O mundo das folhas.
O Vento insiste em
balançar minhas velhas folhas,
Teimando em fazê-las
cair antes do tempo.
Coladas ao chão, se
desmancham feitos bolhas.
Agora, já pisadas por
todos, perdem o seu conhecimento.
Vidas perdidas, por mim, buscam
novos sentidos.
Ao partirem, anseiam
pela possível chegada.
Vidas errantes tomando
novos partidos,
Jogando tudo ao sonhar
com a linda alvorada.
Raios de luz iluminam
as minhas vitoriosas folhas,
Àquelas que renasceram
com um único pensamento:
Viverem como rainhas,
donas de suas próprias coroas.
O Vento agora as
sustentam com encantos consentidos,
Querendo beijá-las rumo à delicada madrugada.
Antes que o pretensioso
Sol as tome de novo para si pela manhã.
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